Neste artigo, exploramos os impactos económicos decorrentes da interrupção dos serviços da Unitel, destacando os seus efeitos nas actividades empresariais, no comércio e no quotidiano dos cidadãos
A última semana de Julho parecia muito promissora para a maior operadora de telecomunicações do país, a Unitel. Após meses de negociações, a empresa preparava-se para entrar na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), numa operação que prometia uma valorização significativa dos seus activos financeiros. Na segunda-feira (27/07), tudo indicava que a semana seria histórica. O anúncio da valorização das acções, fixadas em 40.040 kwanzas cada no âmbito da Oferta Pública de Venda (OPV), reforçou o optimismo dos investidores e consolidou as expectativas em torno da empresa.
Contudo, o cenário mudou radicalmente na madrugada de terça-feira (28/07), antes mesmo do nascer do sol. O que inicialmente parecia tratar-se de uma falha pontual revelou-se ser um incidente de grande dimensão. Os serviços de voz, Internet móvel, pagamentos electrónicos e diversas aplicações digitais começaram a apresentar indisponibilidade, evidenciando a gravidade da situação.
Em poucas horas, as redes sociais foram inundadas por rumores, memes e especulações sobre as causas da interrupção. No final da tarde, surgiu a confirmação oficial. A Unitel veio a público informar que havia sido alvo de um ataque cibernético. Sem revelar muitos pormenores sobre o incidente, a operadora garantiu que continuaria a acompanhar a situação com prioridade máxima e que divulgaria novas informações através dos seus canais oficiais.
No meio da incerteza, milhares de clientes manifestaram a sua preocupação, expondo um problema ainda mais profundo: a elevada dependência da sociedade angolana dos serviços prestados pela Unitel.
Segundo o Relatório e Contas de 2025, a Unitel possui mais de 20,8 milhões de clientes e detém cerca de 76% da quota do mercado nacional de telecomunicações. Esta posição faz da operadora um parceiro estratégico para bancos, empresas e diversas instituições, sobretudo devido à sua ampla cobertura nacional e forte presença nas províncias do interior.
A interrupção dos serviços teve impacto imediato na actividade económica, comprometendo milhares de transacções comerciais. A Empresa Interbancária de Serviços (EMIS) informou que, na quarta-feira (29/07), o número de transacções processadas caiu cerca de 50%, com maior incidência nos Terminais de Pagamento Automático (TPA) instalados nos estabelecimentos comerciais. Segundo a instituição, cerca de 70% destes terminais funcionam com cartões SIM da Unitel, o que explica as dificuldades enfrentadas por consumidores e empresas para efectuar pagamentos durante o período de indisponibilidade dos serviços.
Além dos TPAs, várias aplicações bancárias também registaram perturbações. Entre elas destacam-se o BFA Net, do Banco de Fomento Angola (BFA), o BAI Directo, do Banco Angolano de Investimentos (BAI), e o Multicaixa Express, da EMIS. Em alguns casos, como no BAI Directo, o banco recorreu à sua assistente baseada em Inteligência Artificial para permitir a autenticação de determinadas operações, minimizando parte dos constrangimentos enfrentados pelos clientes.
Até ao momento, não foram divulgados os prejuízos financeiros causados pela interrupção dos serviços. No entanto, tendo em conta a dimensão da rede da Unitel, o número de clientes afectados e a duração da indisponibilidade, estima-se que o impacto económico para empresas, comerciantes e consumidores seja bastante significativo.
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André Manuel
André Manuel é um engenheiro eléctrico apaixonado por partilhar conhecimento e insights sobre o mundo da engenharia moderna. Formado em Engenharia Eléctrica pelo Instituto Superior Politécnico Alvorecer da Juventude (ISPAJ), André traz consigo uma sólida base académica e uma vasta experiência em diversos projectos da indústria. O seu olhar orientado para detalhes, combinado com a sua capacidade de comunicar ideias técnicas de maneira acessível, tornam as suas colunas valiosas para profissionais e entusiastas da engenharia eléctrica e não só. André Manuel é colunista do Portal da Tecangologies desde a sua fundação, e as suas colunas frequentemente exploram tópicos como energias renováveis, negócios, política, automação industrial entre outros.
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