Angola tem hoje uma janela de oportunidade rara para modernizar o seu parque edificado com soluções que não só melhoram a eficiência energética, mas que também educam tecnicamente o sector e criam valor económico no médio prazo
A paisagem urbana angolana tem-se transformado a um ritmo acelerado. À medida que cidades como Luanda, Benguela ou Lubango se expandem, cresce também a pressão sobre as suas infra-estruturas técnicas. Energia, água, segurança e conforto deixaram de ser meros componentes passivos das edificações. Hoje, a inteligência urbana traduz-se na capacidade de gerir estes recursos com rigor, previsibilidade e sustentabilidade.
É neste contexto que os Sistemas de Gerenciamento de Edifícios, mais conhecidos pela sigla BMS (Building Management Systems), ganham especial relevância. Não se trata apenas de incorporar sensores e cablagem em paredes; trata-se de dotar os edifícios de uma “consciência operacional”, de lhes dar a capacidade de monitorizar em tempo real o que consomem, o que desperdiçam, o que podem melhorar.
Em Angola, este movimento ainda dá os seus primeiros passos — mas passos firmes. A AFM Angola, por exemplo, tem vindo a implementar soluções que seguem a norma ISO 50001, focando-se na gestão racional da energia. Estes projectos, embora pontuais, são uma mostra do que é possível fazer quando se alia tecnologia à vontade de inovar.
Importa notar que o país já deu sinais positivos no investimento em energias renováveis. A central hidroeléctrica de Laúca, uma das maiores da África Austral, e os crescentes projectos solares nas províncias interiores, como Huambo e Bié, representam activos estratégicos. Mas gerar energia é apenas parte da equação. Saber usá-la com precisão, com inteligência é o verdadeiro desafio. E aí, o BMS assume um papel fundamental.
É claro que a adopção massiva destes sistemas depende de condições estruturais. Ainda há carências ao nível da formação técnica, da normalização dos processos e da acessibilidade económica aos equipamentos. Contudo, a procura por edificações mais sustentáveis, por parte de investidores, promotores e até de instituições públicas, começa a tornar-se mais visível.
Se quisermos ser sérios quanto à eficiência energética e à sustentabilidade urbana, então teremos de olhar para os BMS como ferramentas essenciais, e não como luxo tecnológico. O seu custo inicial é amplamente compensado pela poupança acumulada em energia, manutenção e fiabilidade operacional.
Em suma, Angola tem, hoje, uma janela de oportunidade rara para modernizar o seu parque edificado com soluções que não só melhoram a eficiência energética, mas que também educam tecnicamente o sector e criam valor económico no médio prazo. A tecnologia existe. A vontade começa a surgir. Falta apenas dar o salto estratégico.
E como em todas as transições estruturais, este salto exige visão e coragem para investir no futuro.
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Cláudio Horácio
Cláudio Horácio é colunista e Engenheiro formado em Electrotecnia, com especialidade em Sistemas de Potência, pela Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto (FEUAN). A sua trajectória académica e profissional reflecte um compromisso com o desenvolvimento técnico e o pensamento crítico no sector energético.
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